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Inventário de riscos

Inventário de riscos psicossociais: o que registrar no PGR

O inventário é o ponto em que a avaliação deixa de ser uma percepção dispersa e passa a integrar formalmente o gerenciamento de riscos ocupacionais. Ele precisa mostrar quais perigos foram identificados, quem pode estar exposto, como o risco foi avaliado e quais controles existem — sem transformar pessoas em diagnósticos.

9 min de leituraAtualizado em 11 de agosto de 2026
Equipe de RH e SST organizando o inventário de riscos psicossociais em uma mesa de trabalho

O que é o inventário de riscos psicossociais?

O inventário de riscos ocupacionais é um dos documentos que compõem o PGR. Para fatores psicossociais, ele consolida perigos relacionados à concepção, organização e gestão do trabalho, como sobrecarga, baixa autonomia, falta de clareza, conflitos e assédio.

Seu objetivo não é catalogar transtornos mentais nem identificar trabalhadores adoecidos. O foco está nas condições de trabalho capazes de gerar exposição e dano. Essa distinção muda tanto as perguntas feitas quanto as medidas de prevenção escolhidas.

A pergunta correta

Em vez de “quem está ansioso?”, investigue “quais aspectos do trabalho podem produzir carga mental excessiva e em quais grupos essa exposição ocorre?”.

Quais informações devem constar?

A organização deve conseguir explicar de onde veio a conclusão. Por isso, resultados de questionários, observação do trabalho, entrevistas, indicadores e registros anteriores precisam ser interpretados em conjunto e ter sua relação com o item do inventário documentada.

  • Caracterização do processo, atividade, setor ou grupo avaliado.
  • Descrição objetiva do perigo e de suas possíveis fontes ou circunstâncias.
  • Possíveis agravos ou consequências relacionados à exposição.
  • Grupos de trabalhadores sujeitos àquele perigo, sem identificação individual indevida.
  • Medidas de prevenção já existentes e sua situação de implementação.
  • Critérios utilizados para estimar severidade, probabilidade e nível de risco.
  • Classificação do risco e prioridade de intervenção.
  • Data, responsáveis e versão do documento.

Como transformar dados em nível de risco

Defina critérios antes de classificar

Documente escalas, faixas e regras de decisão. O critério não deve mudar apenas porque o resultado parece desconfortável.

Combine fontes

Questionário é uma fonte possível. Observe processos, jornadas, metas, conflitos, afastamentos e a percepção dos trabalhadores.

Considere exposição e consequência

A frequência ou duração da exposição e a gravidade potencial ajudam a estabelecer a prioridade.

Registre a justificativa

O nível final precisa ser compreensível para quem não participou da avaliação.

Erros que fragilizam o inventário

  • Copiar uma lista genérica de fatores sem relacioná-la ao trabalho real.
  • Usar apenas a média geral da empresa e esconder diferenças entre setores.
  • Confundir pesquisa de clima com avaliação de risco ocupacional.
  • Registrar somente o resultado do questionário, sem critério ou análise.
  • Criar o inventário e não conectá-lo ao plano de ação e à reavaliação.
  • Expor grupos pequenos ou respostas individuais de forma inadequada.

Do inventário ao ciclo de gestão

O inventário não é o final. Riscos que exigem prevenção precisam alimentar um plano de ação com medidas, responsáveis, prazos, formas de acompanhamento e critérios de eficácia.

Quando a organização implementa uma medida, registra evidências e reavalia o cenário, o inventário também precisa refletir a nova condição. Versionamento e histórico evitam que o documento se torne uma fotografia sem contexto.

Dúvidas frequentes

Perguntas sobre o tema

O inventário pode ser feito apenas com questionário?+

O questionário pode apoiar a identificação e a avaliação, mas deve ser interpretado com informações sobre o trabalho real, critérios documentados e outras fontes pertinentes ao contexto.

É preciso identificar os trabalhadores no inventário?+

O inventário descreve grupos expostos e características da exposição. Não há necessidade de expor respostas individuais ou diagnósticos pessoais para documentar o risco ocupacional.

Quando o inventário deve ser atualizado?+

Sempre que mudanças, avaliações, medidas ou reavaliações alterarem a compreensão do risco, além das hipóteses e periodicidades previstas no gerenciamento de riscos da organização.

Leve o conteúdo para a operação.

A NRVita conecta avaliação, inventário, plano de ação, evidências e reavaliação em um único ciclo.

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação técnica, ergonômica ou jurídica do contexto específico da organização.